quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

[40] As actas

Parece que os proprietários dos blogues de Almeirim têm, para além da sua intervenção de cidadania, na discussão dos temas e dos problemas que afectam a população almeirinense, o dever de chamar à atenção do Executivo Municipal para os sucessivos e reiterados atrasos nas publicações das actas das suas reuniões na página da internet do Município de Almeirim.

No ano passado, o Blogue de Almeirim chamou à atenção, em 26.06.2007, para o facto de a última acta das reuniões de Câmara disponível para consulta ser a de 18.09.2006!!! Uns dias mais tarde (a 03.07.2007), a página foi actualizada com a inclusão de todas as actas até 21.05.2007.

Nós sabemos (pelo menos eu tenho esse conhecimento) que existem actas que são sujeitas as alterações e rectificações e que, por conseguinte, chegam a ir às reuniões duas, três ou mais vezes. Por isso, algum atraso que possa existir até tem justificação. Talvez, se as reuniões de Câmara fossem gravadas se evitasse esses episódios que, por vezes, se tornam rocambolescos. Mas a maioria assim decidiu, e não há gravações para ninguém.

Hoje, 30.01.2008, passaram-se mais de seis meses desde a última actualização da página da Câmara Municipal de Almeirim na internet, no que às actas diz respeito, como poderão confirmar aqui. A última acta disponível para consulta é, precisamente, a de 21.05.2007.

Até mesmo a página da Assembleia Municipal, que primava pela celeridade na publicação das actas (eram-no logo após a sua aprovação na sessão seguinte), está a revelar algum atraso nessa matéria, pois falta publicar a acta da sessão extraordinária de 16.11.2007, que já foi aprovada.

Vamos lá a actualizar essas páginas. Para além de ser vossa obrigação, não custa nada e nós agradecemos...

[39] 30 de Janeiro

Há cerca de 25 anos atrás, os irlandeses U2 afirmavam que aquela canção que eles iriam tocar não era uma canção rebelde. Aquela canção era "Sunday, Bloody Sunday" (There's been a long talk about this next song, maybe maybe too much talk. This song is not a rebel song. This song is "Sunday, Bloody Sunday") [ver Vídeo da Semana].

O dia 30 de Janeiro de 1972 ficou conhecido para a história como o "Domingo Sangrento" ("Bloody Sunday"), quando 26 civis que protestavam, pacificamente, na cidade de Derry (Irlanda do Norte) foram abatidos a tiro pelo 1.º Batalhão do Regimento de Paraquedista do exército britânico.

Hoje passam, também, 60 anos da morte de Ghandi e 75 anos da nomeação de Hitler como Chanceler alemão. O destino a fazer-nos recordar, no mesmo dia, duas personagens históricas, com carácteres antagónicos (um pacifista e um belicista, com todos os outros epítetos que lhe podemos atribuir).

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

[38] Nothing to declare

Apesar de existirem factos locais que merecem uma abordagem da minha parte, esta semana está a revelar-se particularmente negra em matéria de inspiração.

Talvez, lá mais para o final da semana as nuvens dissipem e a inspiração regresse...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

[37] Especulação imobiliária

Tinha alguma curiosidade em ler a entrevista que o empresário António Varela concedeu ao jornal “O Mirante”, publicada na edição de ontem 17.01.2008. Muito por culpa do destaque que a edição online do jornal vinha fazendo relativamente ao facto do entrevistado afirmar que não se dedica à especulação imobiliária: «O que faço não tem nada a ver com especulação imobiliária», dixit.

Gostaria, pois, de saber qual o entendimento que o proprietário de 650 hectares de terreno junto à Ota faz de “especulação imobiliária”, já que o meu poderia ser diferente. Atente-se a este excerto da entrevista:

«Comprou muitos terrenos a baixo preço que não tinham qualquer aptidão e que depois foram muito valorizados. Isso é especulação…
O especulador é alguém que compra determinado bem que depois o vai vender pelo melhor preço que conseguir sem acrescentar qualquer valor patrimonial [negrito meu]. E existem muitos. O que faço não tem nada a ver com especulação imobiliária. Não sou vendedor de terrenos. Os espaços que comprei estavam destinados nos planos directores municipais à indústria, comércio ou habitação e se vender um lote já desenvolvi todo o processo de legalização e infra-estruturação.»

Não conheço em que situação se encontram os 650 hectares na Ota. Não sei se, a essa área, foi acrescentado algum valor patrimonial. Sei, unicamente, que este empresário é proprietário (através de empresas suas ou de fundos de investimento imobiliário) de cerca de uma dezena de lotes de terreno na Zona de Actividade Económicas de Almeirim, sem que neles tenha sido acrescentado qualquer valor patrimonial. Foram adquiridos e vedados, estando ao abandono, alguns com placas onde se lê a palavra “VENDE-SE”.

E não se tratam de uns lotes quaisquer. Para além de serem de dimensões consideráveis, localizam-se onde, dentro em breve, passará a Circular Externa de Almeirim, em cada um dos seus lados, aumentando em muito o seu valor de mercado. Para não falar nos lotes que foram alienados para a implementação do Feira Nova. De certeza que não foram vendidos ao preço de custo. É claro que estes lotes foram adquiridos com um único propósito: vendê-los, no futuro, a preços de mercado, criando assim mais-valias para o seu proprietário.

Não será isto especulação imobiliária?

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

[36] Novo Aeroporto de Lisboa

Este é daqueles temas que já “tem barbas”, de tão velho que é. De novo, apenas a decisão do Governo em construí-lo no local que conhecemos hoje como a Carreira de Tiro de Alcochete, na margem sul do rio Tejo, com base no estudo técnico elaborado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil.

E, como já é hábito em Portugal, surgiram logo algumas pessoas a dizer que os técnicos tinham sofrido pressões para decidir desta forma (faz-me lembrar o presidentes dos clubes de futebol que, ao perderem um jogo, se desculpam com a arbitragem). E foi também, um pouco disso, que assisti ontem (14.01.2008) no debate “Prós & Contras” na RTP1.

Apenas quero referir dois pontos que retive. O primeiro, proferido pelo Bastonário da Ordem dos Engenheiros. Os governos de Portugal têm que acabar com a prática de tomarem decisões políticas primeiro e, só depois, solicitarem estudos técnicos para fundamentarem a sua escolha. Deve ser ao contrário. Se assim tivesse sido, não se teriam criado expectativas e restrições às populações que seriam abrangidas pelo NAL, caso viesse a ser construído na Ota.

Relacionado com este ponto, a intervenção do Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, afirmando que os estudos técnicos e os pareceres “encomendados” ou “à la carte” reproduzem aquilo que, quem os manda realizar quer que eles digam. E mais. Ele, como autarca, costuma fazer isso… É uma afirmação grave, mas quem anda neste mundo da política sabe que os pareceres, nomeadamente os jurídicos, reproduzem, na maior parte das vezes, o pretendido por quem o encomenda.

À parte destes fait-divers, é aguardar pela construção do NAL em Alcochete e, assim o espero, com o desenvolvimento económico sustentado que isso trará à margem esquerda do rio Tejo, onde o concelho de Almeirim se situa. E pelo que já ouvi, em “conversas de café”, existem por aí muitos investidores interessados. São benvindos, desde que seja para criar riqueza, empregos e melhorar a qualidade de vida da população e não, como também tem sido hábito, para fazerem especulação imobiliária…

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

[34] Os Médicos do nosso concelho

Como vem sendo costume há já alguns anos a esta parte, em Almeirim o mês de Janeiro é sinónimo de História e Cultura.

A Associação de Defesa do Património Histórico e Cultural do Concelho de Almeirim (ADPHCCA) vai, pela sexta vez, mostrar as “Pessoas” e os “Factos” que fizeram a História de Almeirim, enquanto concelho.

A presente edição de “Almeirim – Pessoas e Factos”, dedicada aos médicos de Almeirim, será inaugurada no próximo sábado, 12 de Janeiro, pelas 16 horas, e estará patente na Galeria Municipal de Almeirim até a 16 de Fevereiro.

Como afirma a edição online do jornal “O Almeirinense”, esta exposição «pretende apresentar ao público uma retrospectiva sobre o trabalho desenvolvido pelos médicos que aqui prestaram serviço. Constitui ainda um esforço de valorização de quem deu um contributo importante para a melhoria das condições de vida das populações, ao mesmo tempo que se pretende valorizar a cultura local, promovendo a divulgação de um modo de vida que se foi alterando através dos tempos

De referir que, há não muito tempo atrás (décadas de 1960 e 1970), médicos almeirinenses exerciam medicina de uma forma benemérita. Dado que a maior parte da população não tinha recursos, alguns desses médicos, para além de não cobrarem a consulta, ainda davam dinheiro para que pacientes pudessem comprar os medicamentos.

Infelizmente, e apesar de já ter garantido ao Dr. Eurico Henriques a minha presença a inauguração, não poderei estar presente. Mas não deixarei de visitar, com a redobrada atenção que sempre merecem as actividades. Porque, só conhecendo o passado é que podemos compreender o presente e preparar o futuro.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

[33] Festa Anos 80


Ao contrário do que foi referi anteriormente, a Festa Anos 80, organizada pela Equipa Aliança, realizar-se-à no dia 25 de Janeiro (sexta-feira), na discoteca QB, com início previsto para as 23 horas. Como já é do conhecimento geral, esta festa insere-se na campanha "Um Dia Pela Vida", a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

[32] Aos pontos a que isto chegou…

De há um ano a esta parte que o mal-estar entre o Presidente Sousa Gomes e o Vereador Francisco Maurício se tem vindo a agravar. Diariamente, diria eu… No entanto, nunca pensei que uma relação entre duas pessoas, com elevadas responsabilidades na condução dos destinos da população almeirinense (o Presidente da Câmara Municipal e o ex-Vice-Presidente e Vereador), atingisse o ponto a que eu presenciei ontem, quando assisti a uma parte da reunião do executivo municipal. É lamentável que, em pleno século XXI, duas pessoas adultas, com a formação pessoal e profissional que lhes é reconhecida, protagonizem um espectáculo deplorável como o de ontem. Só faltava agora, que neste crescendo de tensão, os intervenientes se envolvessem em agressões físicas.

No passado domingo, o vereador Francisco Maurício comunicou a várias pessoas (nas quais me incluo), que as suas caixas de e-mail institucionais (do município) tinham sido violadas, pelo que solicitava a alteração do seu endereço de correio electrónico. Após ler esta mensagem, apercebi-me que a reunião de câmara não seria nada pacífica, e que, para mal de Almeirim, seria travada mais uma batalha nesta guerra. Sabia, também, que estando o Presidente da Câmara presente na reunião, este iria “contra-atacar”. Ora, foi isso mesmo que aconteceu, ao ler o conteúdo de alguns mails trocados entre o Vereador Francisco Maurício e outra pessoa, onde o Presidente da Câmara é chamado, pelo Vereador, de “filho da p…”.

Eu até me riria se visse, noutras circunstâncias, o Diácono Remédios comentar este episódio: “Meus amigozzzzzzzzzzzzzzzz, não habia nexexidade!!!”. Mas, ao presenciar in loco o que a comunicação social regional e nacional veio dar a conhecer (“O Mirante Diário On-line”, com vídeo, “O Ribatejo”, “Correio da Manhã”, “Agência Lusa” e “Diário Digital”), tenho é vontade de chorar.

De chorar por ter, no governo do concelho de onde sou natural e resido há mais de 35 anos, pessoas que não têm pejo em vasculhar a intimidade de outros, violando as suas comunicações pessoais (tal como se fazia no tempo da outra senhora). E outros, que perderam o respeito e a urbanidade que deveriam ter, na forma como se relacionam, se dirigem e tratam os seus colegas. Decidem monopolizar quase uma hora de discussão, numa reunião dum órgão autárquico que se realiza para discutir e resolver os problemas da população e não problemas pessoais, relacionados com a conquista de poder dentro do Partido Socialista de Almeirim. Aos pontos a que isto chegou…

Estamos na segunda metade deste mandato autárquico. Será a partir de agora que se começarão a definir alinhamentos para as eleições de 2009. Aliás, e no que a isto diz respeito, parece que se irá concretizar o meu vaticínio: com Sousa Gomes a liderar, novamente, a concelhia socialista, a sua recandidatura à presidência da autarquia está, praticamente, dada como certa. Temo, é que, e depois do que também se viu nas duas últimas sessões da Assembleia Municipal, as atitudes de alguns políticos da nossa praça sejam, cada vez mais, exacerbadas, na ânsia de terem a melhor posição quando soar o “tiro de partida”. Nem que essas mesmas atitudes sejam prejudiciais para o concelho que representam.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

[31] Dicionário

Assumo que, por vezes, peco por falta de originalidade. Este post é exemplo disso, já que “roubei” a ideia aqui.

Mas, como existem por aí algumas pessoas que possuem um vocabulário algo reduzido e, por isso, desconhecem o significado de certas palavras, mostrar-lhes esses mesmos significados reveste-se sempre de um carácter pedagógico, que a blogosfera também assume. Assim, da próxima vez que tentarem levar a cabo certas acções, já não podem alegar desconhecer o que elas representam.

ADULTERAR (verbo transitivo): falsificar; viciar, corromper; alterar, modificar

ADULTERADOR (adjectivo e substantivo masculino): que ou o que adultera; alterador; falsificador

FALSIFICAR (verbo transitivo): copiar fraudulentamente; alterar fraudulentamente; adulterar; dar como verdadeiro (o que é falso)

FALSIFICADOR (adjectivo e substantivo masculino): que ou aquele que falsifica

Dicionário aqui.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

[30] Os loucos anos 80

Os anos 80 estão de volta. E eu, com bom revivalista, aplaudo.

No próximo sábado, 26 de Janeiro, a música dos anos 80 junta-se ao melhor desta década: a solidariedade.

Na discoteca QB recordaremos outros tempos, mataremos saudades deles mas, acima de tudo, contribuiremos por uma causa digna e justa: a luta contra o cancro.

Parabéns à Equipa Aliança por esta iniciativa. Eu prometo não faltar!!!

E, durante o mês de Janeiro, o Som do Blog (na coluna ao lado) vai recordar algumas das músicas que, de certeza, se ouvirão nessa festa.

[29] Prazeres proibidos

Desde o passado dia 1 que é proibido fumar em quase todos os locais. Cafés, bares, discotecas, restaurantes, centros comerciais, salas de espectáculo, locais de trabalho. Devo dizer que, sendo fumador, concordo com a proibição de se fumar em alguns locais. Por exemplo, nos restaurantes ou nos locais de trabalho. Não vou ser tão radical quanto o Miguel Sousa Tavares, que não irá a restaurantes em que lhe seja vedado o direito de fumar.

Sim, porque fumar, ao contrário do que muitos pensam, também é um direito. E que está a ser cerceado pelas autoridades nacionais e europeias, em prol do politicamente correcto.

Recordo, a propósito, um livro de crónicas da autoria do médico Eduardo Barroso, reconhecido cirurgião e sportinguista de alma e coração, intitulado “Prazeres”. Quem olha para a capa do livro, reconhece logo a imagem da marca de charutos cubanos “Cohiba”. Ao longo das crónicas, o autor disserta sobre os prazeres da vida: comer e beber bem, fumar bons charutos, as tertúlias com os amigos, os jogos de futebol do Sporting.

A propósito das proibições e do politicamente correcto, lembro-me duma dessas crónicas, que passo a descrever resumidamente.

Frequentador assíduo do restaurante Gambrinus, numa ocasião, ao entrar para jantar, foram-lhe exigidos os resultados das suas análises clínicas. Só assim poderia aceder ao restaurante. Já lá dentro, consultou a ementa e pediu o seu jantar. Foi-lhe recusado, devido aos valores elevados do colesterol. Fez outro… também não podia ser: os triglicéridos não o permitiam. Enfim, o comensal, que se delicia com o prazer de uma boa refeição, acabou por jantar (se a memória não me atraiçoa) um peixe cozido, sem sal. No final, ao puxar duma cigarrilha, foi-lhe dito que não podia fumar. E café nem vê-lo... apenas um descafeinado. Ordens do novo ministro da saúde, Engenheiro Macário Correia.

Acordou e, felizmente, isto não tinha passado dum pesadelo.

Doze anos depois, o ministro chama-se Correia de Campos e parte do pesadelo já é realidade. Ah!!! Já se fala por aí em reduções dos teores de sal na comida, entre outras ideias estapafúrdias de alguém que não tem mais nada que fazer. Espero que, daqui a doze anos, a admissão a um restaurante não seja baseada nas análises clínicas de cada um.