sexta-feira, 18 de junho de 2010

Uma obra de ficção muito real e actual


Acabei ontem de ler "Mataram o Sidónio!" de Francisco Moita Flores. É um livro que se lê com gosto. E, sendo um obra de ficção (embora baseada em factos verídicos: o assassínio do Presidente da República Sidónio Pais e a incapacidade da polícia em descobrir o verdadeiro criminoso), faz-nos reflectir sobre assuntos bem reais e actuais como sejam a qualidade da nossa Justiça ou o poder da comunicação social em casos mediáticos, ou da qualidade dos nossos políticos.

Sendo uma personagem secundária desta obra, fiquei encantado com o "Dr. Manuel Moreira Júnior". Um pouco louco, muito boémio mas de uma enorme lucidez. Dele retenho a ideia que transmite quando dialoga com o seu colega "Dr. Asdrúbal d'Aguiar", personagem principal, e que transcrevo:

«Odeio a presunção. Não suporto aqueles que têm o dever de saber e não sabem. Aqueles que se acomodam quietos sem olhar para o que os rodeia, ou, se olham, não conseguem outra coisa a não ser ficar quietos. Odeio o oportunismo, Asdrúbal. Por isso, atirei-me aos indigentes morais que usavam a Monarquia como um escudo para defender os seus interesses mesquinhos e, agora, ainda não passaram três dias sobre a instauração da República e já os vejo, outra vez, perfilando-se para comer na malga que outros cozinharam. E são voluntariamente ignorantes. Perguiçosos. Cobardes!»

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Excepções

O pacote de medidas de austeridade acordado entre o Governo e PSD prevê cortes de 5% nas remunerações dos titulares de cargos políticos, tendo esta medida sido uma exigência do PSD. Concordo com ela. Quem desempenha cargos políticos em momentos de crise como o que actualmente vivemos, deve dar o exemplo.

No entanto, um mês depois depois, aquando da aprovação desta e das outras medidas na Assembleia da República, ficámos a saber que, na verdade, existem excepções. Os adjuntos, assessores, directores-gerais e outros que tais, não são considerados titulares de cargos políticos e, por isso, não estão abrangidos por esta medida.

Podem não ser titulares de cargos políticos mas desempenham cargos públicos de nomeação política o que, na minha modesta opinião, vai dar ao mesmo. Por isso, acho que o PSD poderia ter ido mais longe nas suas exigências e obrigar que o alcance desta medida fosse maior. Não se compreende que os sacrifícios sejam apenas para alguns.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Desresponsabilização


São pedras...

... neste caso a falta delas.

Como já foi referido aqui, o Bairro da Tróia é aquele em Almeirim cujas ruas são, na maioria, pavimentadas com seixos. E muitos dos seus residentes têm reclamado contra esta situação. Quem tem obrigação de decidir refugia-se na célebre divisão entre os moradores ("metade quere que sejam alcatroadas; a outra metade prefere que se mantenha assim"). Pelos vistos, já desistiram de recorrer à pretexto "histórico".

Mas a questão que aqui coloca, desta vez, não é a existência de pedras, mas sim a falta delas. Desde o dia 23 de Abril passado que a Rua Alexandre Herculano tem um buraco onde não há pedras. Hoje é dia 1 de Junho e a situação mantém-se.

Será que é não sabem da existência deste buraco? Duvido, uma vez que a rua esteve cortada ao trânsito durante três dias. Não quero pensar que seja desprezo para com os residentes desta rua ou para com os que nela circulam diariamente. Então só posso deduzir que seja desleixo...