Mostrar mensagens com a etiqueta Armindo Bento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Armindo Bento. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"O PS sou eu"*



Acabei de ver as imagens da sessão da Assembleia Municipal de ontem, transmitidas pela TV 4 Semanas.

Para além do espectáculo lamentável que os eleitos socialistas protagonizaram, devo realçar o facto de que o Partido Socialista em Almeirim e o cidadão Sousa Gomes serem uma única entidade. Senão vejamos:


  • a retirada da confiança política a Armindo Bento já tinha sido tentada no ano passado, numa altura em que o Presidente do PS era Pedro Ribeiro;



  • a substituição de Pedro Ribeiro por Sousa Gomes na direcção dos socialistas pode muito bem ter a ver com a sua incapacidade de satisfazer o desejo do Presidente da Câmara em retirar a confiança política ao Presidente da Assembleia Municipal. Aliás, em várias declarações à comunicação social, Sousa Gomes deu a entender ter ficado agastado com a atitude do seu "delfim";


  • depois de ter reassumido a presidência do PS local, retirou a confiança política ao seu ex-vice-presidente Francisco Maurício;


  • conseguiu os seus intentos aos instigar os deputados municipais socialistas de destituirem o Presidente da Assembleia Municipal;



  • e continuará a consegui-los, promovendo a eleição duma Mesa da Assembleia Municipal que lhe seja favorável.


Tendo esta sessão sido convocada para destituir a mesa, acho estranho que quem faça as "despesas da casa" seja o Presidente da Câmara. A Câmara Municipal e o seu Presidente não se devem envolver em assuntos que só à Assembleia Municipal digam respeito. Mas foi ele quem protagonizou a discussão com o Presidente da Assembleia Municipal, foi ele que esclareceu as razões que motivaram o Grupo Municipal do Partido Socialista a agendarem a sessão extraordinária e foi ele que, no final, ainda prestou declarações à comunicação social.

Deste conjunto de situações é fácil chegar à conclusão de que PS em Almeirim e Sousa Gomes são uma única entidade.


* Título adaptado da frase "L'Etat c'est moi" ("O Estado sou eu"), proferida pelo Rei Luis XIV de França, monarca absolutista, conhecido pelo Rei-Sol.

Afinal estava errado...

... e a Mesa da Assembleia Municipal de Almeirim foi destituída. Treze votos a favor, seis votos contra e seis em branco.

Como tinha referido anteriormente, não assisti a esta sessão. Mas pelo que me foi contado e, também, pelo já li nos jornais regionais on-line, esta foi muito pouco dignificante, «digna de ser realizada no mercado municipal, em dia de zanga colectiva nas bancadas do peixe», em que «ofensas pessoais, calúnias e acusações implícitas dominaram os discursos de Sousa Gomes e Armindo Bento», como escreve "O Ribatejo" na sua edição na internet, concluindo que «mais do que a destituição da mesa, assistiu-se a um medir de forças entre os Presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal». Com exemplos destes, não é de admirar que qualquer dia, numa qualquer eleição, a maioria seja aqueles que ficam em casa sem votar.

A oposição fez o seu papel, criticando os eleitos socialistas pela forma como estão a transformar os órgãos autárquicos em locais de confrontos pessoais e partidários, como referiu o meu amigo João Lopes, e muito bem, «ser vergonhoso gastar-se o dinheiro dos contribuintes para realizar uma assembleia como esta».

Depois do Presidente da Câmara se ter imiscuído nos assuntos da Assembleia Municipal para conseguir os seus intentos pessoais (destituição de Armindo Bento do cargo de Presidente da Assembleia Municipal), vai continuar a intreferir, desta vez dando instruções aos deputados municipais para elegerem uma mesa que seja um pouco mais "favorável".

Resta saber qual vai ser o papel de Armindo Bento daqui para a frente. Na minha opinião, e pelas proporções que o conflito pessoal tomou, não creio que os ânimos sosseguem com a sua destituição de Presidente da Mesa. Se o Presidente da Câmara Municipal teve três anos de mandato para esquecer, espera-lhe uma recta final bem mais complicada. Aguardemos, pois...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

[112] A guerra continua...

A Comissão Política do PS de Almeirim retirou a confiança política ao Presidente da Assembleia Municipal, Armindo Bento, por este tomar posições contrárias às defendidas pelo partido. Nomeadamente, pela sua posição pública contra a instalação do Estabelecimento Prisional de Lisboa e Vale do Tejo na Herdade dos Gagos.

Não me causa estranheza esta atitude, dado o extremar de posições bem patente na última sessão da Assembleia Municipal. E, também não me causa estranheza, já que é desta forma que o Presidente da Câmara Municipal (simultaneamente, Presidente da Comissão Política do PS de Almeirim), se vê livre dos seus adversários políticos. Primeiro tinha sido Francisco Maurício, agora foi Armindo Bento. E é bom não esquecer que este esteve para ser alvo dum processo disciplinar há mais de um ano. À data, o líder da concelhia era outro e o assunto "morreu"por ali.

Quando ontem [06.07.2008] li a notícia, lembrei-me do que aconteceu há quase quatro anos, no PSD de Almeirim. Tinha eu sido eleito Presidente da Comissão Política, quando os eleitos do PSD na Câmara Municipal e na Assembleia Municipal decidiram, por sua exclusiva vontade, solicitar a desfiliação do partido. A direcção local do partido viu-se obrigada a retirar a confiança política àqueles autarcas já que os mesmos se tinham auto-excluído do PSD, passando a representar o auto-intitulado "Grupo de Independentes por Almeirim". Alguns foram tão independentes, que passado um ano, já estavam a figurar num cartaz do PS. Mas isso são contas doutro rosário...

Não existem semelhanças nos dois casos, a não ser a decisão política de retirar confiança a um ou a vários eleitos locais. Bem pelo contrário. O caso presente (Sousa Gomes vs. Armindo Bento) é, a meu ver, para além de uma eventual situação de falta de democraticidade interna, o culminar de um conflito pessoal em que, quem detém o poder, o exerce de forma a afastar quem lhe possa fazer frente. Salvaguardadas as diferenças entre as personagens e os actos praticados, este exercício de poder faz-me lembrar a "Noite das Facas Longas" ou as purgas estalinistas.

Apesar do PS ter maioria na Assembleia Municipal para fazer eleger um novo presidente deste órgão, não creio que Armindo Bento renuncie ao seu lugar de Deputado Municipal. Quem o conhece, sabe que isso está fora de questão. No entanto, com a retirada da confiança política e sem a responsabilidade que o cargo de Presidente da Assembleia Municipal acarreta, poderá ter mais "liberdade de expressão" e tornar-se, ainda, mais incómodo.