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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A falta de pontualidade = A falta de educação

A propósito dos atrasos na sessão de hoje para a leitura da sentença do Processo Casa Pia, lembrei-me dum episódio ocorrido nas minhas férias e que está relacionado com a sistemática falta de pontualidade portuguesa.

Chegados ao Aeroporto de Tunis, fomos informados pelo representante do operador turístico que iria ocorrer, no dia seguinte, a partir das 10 horas da manhã, uma reunião com um colega seu, com o intuito de nos esclarecer relativamente a assuntos relacionados com a nossa estadia. No dia seguinte, antes das 10 horas, um pouco a contra-gosto, lá estávamos no hotel (em vez que estarmos a desfrutar da praia), para ouvirmos as recomendações e as propostas do guia.

A reunião iniciou-se pouco depois da hora marcada, com a presença assídua da esmagadora maioria dos que tinham viajado por aquele operador, encontrando-se presentes cidadãos portugueses e espanhóis. Decorria a reunião há uns bons 20 minutos, entram na sala três turistas portugueses (duas mulheres e um homem), tendo o guia (tunisino) chamado a atenção para o facto de a reunião se iniciar às 10 horas e não às 10h20m. Em vez de serem humildes e pedirem desculpas aos presentes pelo atraso, estas três pessoas ainda se revoltaram contra o guia tendo, inclusive, o homem insinuado (qual defensor das damas ofendidas) partir para a agressão física.

Nesse mesmo momento senti vergonha. Vergonha, não de ser português, mas pela falta de educação daqueles compatriotas meus. E por constatar que no nosso país a pontualidade, em vez de ser regra é, cada vez mais e sempre, uma excepção.

segunda-feira, 24 de março de 2008

[54] É esta a educação que queremos?

(foto retirada daqui)

Portugal inteiro visualizou, nos últimos dias, o drama de uma professora que, ao tentar impor a sua legítima autoridade numa sala de aulas, foi desautorizada e agredida, não só pela aluna como pela turma, que ululava de contentamento pela atitude da colega. Mas graças a um desses alunos, Portugal conheceu aquilo que, provavelmente, ocorre em muitas outras escolas deste país mas que os professores, por vergonha e pudor, não denunciam.

Longe vão os tempos em que os professores usavam métodos autoritários dignos do regime político de então. No entanto, e quando se fala com aqueles que foram alunos nessa época, eles são unânimes em afirmar que, então, havia respeito. Mesmo eu e outros da mesma geração, que ingressámos no ensino no pós-revolução, mostrávamos e tínhamos respeito pelos professores.

Nos dias de hoje é o que se vê. Aos poucos e poucos, os professores foram perdendo a (pouca) autoridade que tinham. Mas não é só na educação que este mal se reflecte. Este mal existe em todas as áreas da nossa sociedade, como afirmou ontem (domingo) Moita Flores na sua crónica semanal no "Correio da Manhã".

Em jeito de conclusão retenho, da leitura que fiz na blogosfera, dois excertos de textos. O primeiro, de Dulce Alves no blogue Ainda Há Lodo no Cais: "Eis a prova de que neste triste país, para lá da novela das avaliações, há muito que repensar em matéria de Educação." O outro, no 4R - Quarta República, da autoria de Margarida Corrêa de Aguiar: "Este episódio é mais um alerta para o caminho perigoso que estamos a seguir. Deveria obrigar-nos a pensar sobre que sociedade é esta que estamos a construir. Deveríamos reflectir sobre o brutal abismo entre o que julgamos ter e o que na realidade andamos a fazer!"

Realmente, temos que reflectir, muito e bem, sobre a sociedade que estamos a criar e sobre a educação que damos aos nossos filhos. Sob pena de, quanto mais tarde pior!